sábado, 5 de dezembro de 2015

Jornalismo Investigativo


Usamos as histórias como o cimento que mantém a coesão entre cada passo do processo investigativo, desde a concepção até a pesquisa, redação, controle de qualidade e publicação. Também nos referimos a essa abordagem como a investigação a partir de histórias, porque começamos formulando a história que esperamos redigir como uma hipótese que será ou verificada ou refutada. Esse é o primeiro passo em um processo integrado, e funciona da seguinte maneira:

Ao analisar uma história hipotética, um(a) repórter pode ver com mais facilidade quais informações precisa procurar.

Uma editora ou um(a) profissional de edição pode avaliar mais facilmente a factibilidade, os curstos, as recompensas e o avanço de um projeto investigativo.

À medida que a pesquisa avança, o(a) repórter ou equipe de investigação estará organizando o seu material para a redação, e redigindo partes específicas da história final.

Isso, à sua vez, facilitará o controle e permitirá uma visão mais persipicaz sobre o quão bem a história atende a critérios legais e éticos.

Ao final do processo, o resultado será uma história que pode ser resumida em algumas poucas frases de impacto - uma história que possa ser promovida, defendida e lembrada.

Não estamos afirmando que fomos nós que criamos a investigação a partir de histórias. Métodos semelhantes têm sido utilizados em consultorias de negócios, nas ciências sociais e no trabalho policial. O que fizemos foi trabalhar as suas implicações para o processo jornalístico, com vistas às metas do jornalismo investigativo – para reformar um mundo que produz sofrimento inútil e desnecessário, ou que, por outro lado, ignora as soluções que estão disponíveis para os seus problemas.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Apuração transparente

A apuração transparente indica um modo de apurar onde se tem por costume revelar o percurso realizado para se chegar as informações utilizadas na postagem. Revela-se este caminho através de links às fontes de informação consultadas para se obter as informações essenciais para a produção da postagem.

É um tipo de prática que surge no início da identificação do weblog como um tipo de sítio web específico, quando este ainda era essencialmente uma coleção de links com comentários, e que, com a incorporação do weblog pelo jornalismo, muitas vezes se perde em nome de uma suposta adequação à prática jornalística vigente.

O ato de indicar, sempre que possível, o link para a origem da informação, mesmo (ou principalmente) quando ela é de algum outro sítio jornalístico, é apontado por como um dos pontos centrais do código de ética dos weblogs: Linkar para uma fonte leva os leitores a julgar por seus critérios a precisão e a originalidade de suas postagens.

A importância de revelar as fontes da informação na web se dá, também, como estratégia de credibilização do blog. Os consumidores necessitam saber a origem da informação jornalística para poderem fazer seu próprio julgamento sobre a sua veracidade: Os consumidores necessitam conhecer a origem de uma notícia para então dar seu próprio juízo sobre sua confiabilidade.

Assim, muito da seleção daquilo que vai ser informação destinada a uma postagem dependerá dos acontecimentos que ambas as partes – jornalista e usuário - vão entender como merecedores de serem veiculados. E muitas postagens abordarão assuntos atuais comentados na blogosfera ou na própria mídia.


Apuração complementar

Divulgação: Mcartuns

Os blogs jornalísticos que apresentam um tipo de apuração que aqui se nomeia de complementar são principalmente aqueles editados por jornalistas que trabalham para outro meio ao mesmo tempo que para o blog.

A preferência da apuração complementar é destinada a este outro meio, com o blog ficando em segundo plano. Isso se dá muitas vezes porque a remuneração do jornalista é paga através do trabalho nestes outros meios, o que, de modo natural, restringe o tempo e o esforço de apuração para o blog. Trabalha-se, então, para outro meio e também para o blog.

Assim, as informações necessárias para a produção dos textos jornalísticos para o blog acabam por ser obtidas através da apuração realizada para a produção de conteúdo nestes outros meios, o que leva o blog a aproveitar as informações mais do que a buscar novas. O aspecto da complementariedade destes blogs para com outros meios pode ser visto com relação à escolha dos temas tratados nas postagens.

O rigor jornalístico, por exemplo, em tratar de assuntos de interesse público ou ouvir ambos os lados envolvidos no fato, se dá mais por conta da iniciativa pessoal do jornalista do que propriamente por uma exigência da empresa jornalística que hospeda o blog.

Apuração Tradicional


Por apuração entende-se aqui o processo de busca e investigação de informações a serem veiculadas.

1) Elaboração da pauta, onde se organiza a pauta através de uma pista e de uma sondagem inicial;

2) Pré-produção, onde se faz a análise e a primeira abordagem às fontes;

3) Produção, onde se confronta a informação obtida com outras fontes e se realiza o processo de checagem dos dados obtidos; e

4) Pós-produção, onde se escreve, edita e se faz a produção visual da matéria.

Apuração tradicional indica que a apuração jornalística realizada para os weblogs jornalísticos é semelhante àquela realizada para outros fins jornalísticos, como no telejornalismo, no radiojornalismo ou no jornalismo impresso, seja na obtenção das pautas, na abordagem às fontes de origem da informação ou no processo de checagem das informações apuradas.

Observa-se que aqueles jornalistas que tem blog com um alto grau de normatização tendem a reproduzir os mesmos procedimentos práticos utilizados para a busca da informação publicada em outros meios, de forma independente das especificidades do veículo blog.

Eles consultam fontes, buscam pautas e confrontam informações dos mesmos modos que faziam quando atuavam (ou ainda atuam) no jornalismo impresso ou no telejornalismo: pessoalmente ou por telefone.

Nestes casos, o blog é, principalmente, um meio de veiculação de produtos jornalísticos, e pelo menos no que diz respeito ao processo de busca das informações, não apresenta especificidades significativas em relação a outros meios. Nota-se que uma série de fatores justificam esse tipo de apuração, dentre os quais destacam-se:

1) a relação com as fontes de informação, construída através dos anos a partir do contato pessoal ou mediado por outros mecanismos que não o ciberespaço;

2) a relativa exclusividade das informações que publicam, só obtidas através de uma contato pessoal com a fonte;

3) a pouca confiança nas informações obtidas única e exclusivamente através da rede;

4) o fato de que, na área de cobertura do blog, as informações não estão totalmente disponibilizadas na rede, de modo que há a necessidade de se recorrer a mecanismos como o telefone ou o encontro pessoal, supostamente mais íntimos, para a busca destas informações;

5) os jornalistas não terem acesso a mecanismos de busca específica para o Jornalismo, ou, ainda, terem dificuldades para se adaptar às novas tecnologias, pois trabalhar com computadores requer uma forma de pensar mais metódica e menos intuitiva do que sem o uso desta tecnologia.

O Blog do Noblat destaca-se como um exemplo deste tipo de apuração. Ao contrário da maioria dos blogs jornalísticos, a estrutura de produção do blog é coletiva. Além do editor, há dois repórteres para a apuração das informações: um fica muito pelo Congresso Nacional e o outro fica mais solto, onde estiver a notícia.

O fato de contar com uma equipe de trabalho permite ao Blog do Noblat fazer a cobertura de uma gama de assuntos que vai além daquele ao qual o blog é focado - política e economia nacionais - o que é demonstrado pelo número de seções no blog que não tem vinculação direta com estes assuntos.

A informação exclusiva, ou mesmo aquela que venha a ser a matéria prima do post, é obtida através de fontes profissionais, oficiais e oficiosas, raramente através de fontes alternativas ou independentes disponíveis na web ou dos próprios usuários do blog através de ferramentas como a caixa de comentários.

Apuração de notícias para blogs jornalísticos


Apurar e avaliar a informação sempre foram considerados como essenciais na atividade jornalística. Precisão e credibilidade demandam informações confiáveis, obtidas de provas convincentes e verificáveis, apresentadas de maneira onde prevaleça o equilíbrio e a transparência.

Há consenso entre todas as partes envolvidas (jornalistas, fontes, público) de que práticas como esconder fontes, encobertar manipulações de dados e desrespeitar e alterar falas de entrevistados são ações claramente contrárias a qualquer tentativa de veracidade pretendida pelo jornalismo.

Nos weblogs jornalísticos, especialmente nos casos brasileiros, nota-se que há um convívio de diversos tipos de apuração, a depender da característica de cada blog.

Há casos em que a apuração é feita da mesma maneira do que em outros meios, e que o fato do conteúdo ser veiculado no blog traz mínimas diferenças no processo de busca e revelação das informações, como acontece no Blog do Noblat.

Há outras situações em que raramente se faz uma apuração especificamente para o blog, e sim, se aproveitam informações recebidas diretamente de fontes ou obtidas em um outro processo de busca realizado para outro local onde o editor do blog trabalha e se complementa, normalmente com opinião.

Por fim, existem situações em que a apuração e tanto o processo de busca quanto de consulta às fontes são baseados na web. Nestes casos, tem-se potencializado a transparência, que é manifestada na prática da busca das informações através dos links direcionados à fonte original da informação, prática que também contribui para a disciplina da verificação, que é o que separa o jornalismo do entretenimento, da propaganda e da literatura.

As diferenças observadas na apuração dos weblogs jornalísticos decorrem basicamente da liberdade que o blog, sendo um meio eminentemente pessoal, permite ao jornalista quanto ao seu modo de atuação.

Definições de um Blog Jornalistico



A definição do que vem a ser um blog jornalístico leva em consideração as etapas de desenvolvimento dos blogs.

1) O crescimento exponencial do uso do blog a partir dos anos de 1999-2001;

2) A adoção do blog na prática profissional jornalística a partir de 2003;

3) A incorporação do blog ao jornalismo, ocasionada pela adequação ao meio, o que dá origem a criação do weblog jornalístico.

Assim, blogs jornalísticos são aqueles cujos endereços são públicos, estando disponíveis a qualquer pessoa com acesso à internet; que se destinam, na totalidade ou na maior parte do tempo, a divulgar acontecimentos reais dotados de atualidade, novidade, universalidade e interesse; e, ainda, cujos blogueiros tenham a preocupação e se esforcem para:

a) disponibilizar frequentemente conteúdos novos, ainda que sem periodicidade fixa ou determinada;

b) divulgar seus blogs, tornando-os endereços na web amplamente conhecidos com o intuito de atrair um número expressivo de internautas, ou seja, uma grande audiência, que na internet é expressa por número de page views.

A era após os warblogs

Após o advento dos warblogs – blogs com relatos de guerras - os blogs passaram a ser melhor compreendidos entre os jornalistas, tornando-se modelos para diversos diários digitais.

Muitas empresas passaram a estimular a criação de weblogs para os seus colunistas. Ainda assim, houve alguns percalços, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Neste país, houve inúmeros casos de jornalistas que foram demitidos por terem criado blogs.

Um dos casos mais destacados foi o do jornalista ChezPazienza, veterano produtor da rede CNN, que foi demitido da empresa por conta da grande visibilidade na rede que o seu blog pessoal atingiu.

A situação serve de exemplo para a constatação de uma realidade - o Jornalismo começara a adotar definitivamente os blogs como ferramenta de trabalho. Nos Estados Unidos, berço dos blogs e warblogs, a presença do blog no Jornalismo era significativa já no ano de 2003. No Brasil, percebe-se uma incorporação crescente do blog ao trabalho jornalístico no período que vai de 2003 até o ano de 2006.

A partir de 2006, os principais grupos jornalísticos do país passam a adotar blogs em alguns de seus jornais online. São exemplos dessa situação o

Folha e Estadão, o JB online, que já havia criado o seu primeiro Blog em 2004; Veja.com e A Tarde Online, em 2006; O Dia Online, ZeroHora.com, Diario.com, Terra Magazine e Rádio CBN, em 2007.

Paralelo à adoção dos blogs pelas empresas jornalísticas tradicionais, surgem também os primeiros casos de blogs jornalísticos independentes, que não estão vinculados a uma empresa jornalística.

Os Blogs independentes são meios criados normalmente por jornalistas e/ou pesquisadores acadêmicos para a cobertura jornalística de uma área ou região específica, e que compensam a falta de estrutura de produção, como a dos grandes jornais, com o aproveitamento do potencial coletivo da blogosfera através dos uso dos links, do reaproveitamento do material jornalístico produzido pelo jornalismo online tradicional ou pelos próprios meios tradicionais, onde muitas vezes os jornalistas que editam blogs trabalham.